ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #21] – Finalmente, Bahamas!
Risoleta
está quase empanturrada, sorrindo de orelha a orelha com o banquetão
nervoso que está terminando de comer. Bequinho Fricote, o jogador do
Real Madrid, está do outro lado da mesa, conferindo sua carteira.
RISOLETA:
Ai, Bequinho! Esse é o melhor almoço da minha vida! Você é um
máximo!
BEQUINHO
FRICOTE:
Que bom que gostou.
Bequinho
nem mexe direito em sua comida.
RISOLETA:
É o restaurante mais bacana que eu já vim na minha vida!
BEQUINHO
FRICOTE:
Que bom…
RISOLETA:
Mas ó… você não tá liberado da tarefa de me servir a sobremesa
não, viu! E comigo, você já sabe… é linguiça com catupiry…
rsrsrs… adoro!
BEQUINHO
FRICOTE:
Linguiça na sobremesa?
RISOLETA:
Alô-ou… vai dizer que não entendeu minha piadinha! Presténção!
Rsrsrs…
É
exatamente isso o que está acontecendo. Bequinho não está
prestando muita atenção no que está acontecendo. Mas também não
revela no que está pensando.
RISOLETA:
Você tá muito esquisito, Bequitcho! Tá acontecendo alguma coisa?
BEQUINHO
FRICOTE:
Nada demais não… só queria que você não demorasse muito.
RISOLETA:
Tranquilo, benhê… ó… (deposita os talheres no prato). Terminei
de comer. Podemos ir embora, como você quiser!
BEQUINHO
FRICOTE
(desanimado): Massa…
Bequinho
paga o restaurante. Risoleta não vê, mas ele fica quase sem
dinheiro na carteira ao fazer isso. Sem dar o braço a torcer,
Bequinho sai com Risoleta do restaurante, já pensando em se livrar
de sua companhia.
BEQUINHO
FRICOTE:
Parece que vai chover, né.
RISOLETA:
Ai, adoro chuva! Bom é tomar chuva no bairro. Como não tem ninguém
na rua, dá pra sair pelada, sambando na cara das Matildes da janela…
rsrsrs… e os netinhos delas, no quarto, tudo me elogiando…
BEQUINHO
FRICOTE:
Bem, Risoleta… errr… acho que a gente passou momentos muito
bacanas, né?
RISOLETA:
Pô, demais Bequinho! Nem sei o que dizer.
BEQUINHO
FRICOTE:
Então, acho que a gente pode marcar alguma coisa de novo qualquer
dia desses, né? Tipo, eu dou uma olhada nos meus horários
disponíveis no fim de semana e hoje à noite eu te ligo pra dar uma
resposta.
RISOLETA:
Ué, como assim? Me liga?
BEQUINHO
FRICOTE:
É… te ligo.
RISOLETA:
Você tá me mandando embora? Ò.ó
BEQUINHO
FRICOTE:
Errr… não, não é isso não! Mas é que eu pensei que você ia
pra sua casa agora.
RISOLETA:
EEEEEU HEINNNN!!! Você me tirou do Rodolfo Reginaldo, meu bem! Eu
tinha hotel, comida e roupa lavada pagas por ele. Você aceitou me
bancar, vai ter que me levar pra casa também.
BEQUINHO
FRICOTE:
GLUP!!! Mas é que…
RISOLETA:
É que o quê, jogadorzinho mijão!?
BEQUINHO
FRICOTE:
É que eu não acho que você vai gostar da minha casa, entendeu!?
RISOLETA:
Aiai… vê se pode isso! É claro que eu vou gostar. Por que eu não
gostaria?
BEQUINHO
FRICOTE:
Sei lá, mil coisas…
RISOLETA:
PRA MIM JÁ CHEGA DESSE PAPO!!! Ò___ó
BEQUINHO
FRICOTE:
P-p-p-peraí!
RISOLETA:
Chama logo um carro de aplicativo! A gente vai pra casa sua casa
AGORA MESMO! Você vai me bancar e ponto final. Sua casa é minha
agora e não tem volta. E NÃO OUSE TENTAR ME DESPACHAR DE NOVO!!!
Bequinho
agora fica com medo. Mas não vê outra opção senão levar Risoleta
contigo.
Enquanto
isso, nas Bahamas…
O
avião pousa com sucesso. Dona Sarityellen e seu filho, Rodolfo
Refinaldo, estão sentados na parte frontal do avião. Mistiane,
escondida de sua ex-patroa, vai na parte mais traseira, mas ambos vão
de classe econômica.
Sarityellen
vai saindo da aeronave e não deixa passar um certo desconforto.
DONA
SARITYELLEN:
Nunca pensei que fosse voltar a entrar numa classe econômica algum
dia, mas até que não foi tão torturante.
RODOLFO
REGINALDO:
Foram as únicas passagens de avião que encontrei assim, em cima da
hora, mamãe. Agradeça por eu ter conseguido. Três passagens em
cima da hora assim não são coisa fácil de se arranjar.
DONA
SARITYELLEN:
Três?
RODOLFO
REGINALDO:
Três… três!?
DONA
SARITYELLEN:
É! Três! Você falou três. Por que três?
RODOLFO
REGINALDO:
Ahhh sim… errr… me enganei, hehehe. Duas passagens. A gente
aterrizou e minha cabeça continua nas nuvens.
DONA
SARITYELLEN
(desconfiada): Certo…
RODOLFO
REGINALDO:
Bom… eu vou ali comprar um energético.
DONA
SARITYELLEN:
Olha aqui, Rodolfo Reginaldo! Se eu souber que você trouxe aquela
desfrutável da Risoleta escondida nesse voo, eu vou te fritar no
azeite de dendê! Cê tá me ouvindo!? Ò_Ó
RODOLFO
REGINALDO:
Credo, que mau-humor! Fica tranquila que essa surpresa a senhora não
vai ter!
DONA
SARITYELLEN:
Acho bom! U__U
Rodolfo
Reginaldo sai de perto da mãe e vai até sua amada e escondida
Mistiane, que ainda se apresenta com o nome falso de Tabatah Soraya.
RODOLFO
REGINALDO:
Ô, meu amorzinho… você foi bem de viagem, foi!?
MISTIANE:
Se tivesse sido na primeira classe, seria melhor… mas deu pro
gasto!
RODOLFO
REGINALDO:
Nossa, que exigente para uma ex-camareira!
MISTIANE:
Sou mesmo! Espero que meu quarto na sua mansão seja um brinco!
RODOLFO
REGINALDO:
Ele será, meu amor. Ele será. Massss… por enquanto, vai ser
daquele jeito que eu te disse. Você vai ficar morando numa casa
muito legal, muito bacana que eu já deixei reservadinha, bonitinha
pra você desde lá do Brasil, tá!? Eu vou preparar o terreno antes
de te apresentar pra minha mãe.
MISTIANE:
Tá certo. Só não prepara tanto porque eu não sou lavoura de
milho! Se me enrolar demais, eu mesma me apresento pra ela! U__U
Enquanto
isso, na fábrica de explosivos Fofada, em Vila dos Bairros.
Carlos
Leopoldino acompanha o a entrega da carga de bonecas infláveis,
enquanto Cleoniça Pipoqueira se aproxima dele. Ela está com um
crachazinho, com letra pouco legível. Ele não entende direito o que
está acontecendo, mas estranha. Resolve especular com a pipiqueira.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Tudo bem com a senhora, Dona Cleoniça?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
A Senhora está no céu, hehe. Mas tudo bem sim.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Você vai trabalhar na fábrica agora? Vai parar com as pipocas?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
Então, não sei… eu ia justamente te perguntar como eu faço pra
encontrar o Seu Alba. Ele tem uma reunião comigo daqui a pouquinho.
CARLOS
LEOPOLDINO
(estranhando): Reunião com a senhora?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
É. Ele disse que tem um negócio a me oferecer.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Sei… o que seria?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
Ele quer que eu o ajude a fazer pipoquinhas bomba. Seriam milhos de
pipoca pra pessoa colocar na boca e explodir em contato com a língua.
Ele disse que quer minha ajuda na implantação.
CARLOS
LEOPOLDINO:
EXPLODIR NA BOCA? Explodir, tipo… explosão?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
Claro, né.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Mas, mas… isso não é perigoso não? Vai mexer com explosivo de
verdade?
CLEONIÇA
PIPOQUEIRA:
É isso que eu vim ver. Vai me mostrar onde o Seu Alba está ou não
vai?
Carlos
Leopoldino indica o caminho a Cleoniça Pipoqueira, mas fica muito
cabreiro.
De
volta ao Guarujá…
Bequinho
Fricote e Risoleta, depois de longa viagem, chegam à casa do
jogador. Risoleta entende cada vez menos. O bairro é um tremendo
favelão. A rua é de cascalho. E a casa de Bequinho Fricote mal tem
os rebocos da parede, e parte da porta, sem vidro, é coberta com um
pedaço de lona preta.
Os
dois descem do carro de aplicativo. Bequinho paga o motorista, que
vai embora. E Risoleta fica sem entender nada.
BEQUINHO
FRICOTE:
Fiquei só com 48 reais e… (contando) dez, quinze, sessenta e
cinco… setenta centavos. Puxa vida!
RISOLETA:
Mas isso é algum tipo de brincadeira?
BEQUINHO
FRICOTE:
Não, não… essa aqui é a minha casa. Vamos entrar?
RISOLETA:
Não, pera… acho que entendi. Você tá me testando, certo!?
BEQUINHO
FRICOTE:
Não estou não =(
RISOLETA:
Para de falar bobagem! Essa aqui era a sua casa antes de você
começar a jogar futebol, certo?
BEQUINHO
FRICOTE:
Olha… é também. Mas depois que eu comecei a jogar, ela continuou
sendo.
RISOLETA:
Ué… mas você não joga no Real Madrid?
BEQUINHO
FRICOTE:
Sim, jogo… no Real Madrid de Jacutinguinha de São Deodato. É um
time da oitava divisão do campeonato de futebol de várzea do Vale
do Jequitinhonha.
RISOLETA:
COMO É QUE ÉÉÉÉÉ!!!!??? Ò__ó
BEQUINHO
FRICOTE:
Cê me desculpa, Risoleta… como o Rodolfo Reginaldo pagou o motel e
as coisa tudo, eu… eu… fiquei de boa e…
RISOLETA:
MAS É CLAAAAARO!!! Tinha que ter um dedo do Rodolfo Reginaldo nisso
tudo, não é mesmo!?
BEQUINHO
FRICOTE:
Calma, Risoleta! Ele não fez por mal e…
RISOLETA:
FEZ POR MAL, SIM!!! Só queria me despachar e ficar livre de mim…
ai que ódio, que ódio! Mas se ele pensa que vai se livrar de mim,
tá enganado! Eu vou encontrar aquele estrupício onde quer que ele
esteja! No Guarujá, nas Bahamas, no raio que o parta! Ninguém
engana Risoleta de Marco desse jeito! Ò_ó
-
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
E agora? Risoleta está determinada.
Será que ela conseguirá reverter sua situação? E Mistiane,
afinal, o que tem em mente? E quais serão os planos de Seu Alba na
fábrica de bombas? Não percam o próximo e surpreendente capítulo
de ENVOLVENTE SUCESSAGEM.

Comente