ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #18] – Bomba-relógio
Sarityellen
e seu filho, Rodolfo Reginaldo, estão tomando café da manhã quando
Risoleta aparece por ali, de óculos escuros. Todos no lugar acabam
olhando para ela também.
DONA
SARITYELLEN:
Olha quem apareceu! A viagem ao alambique ontem foi uma beleza, não!?
RISOLETA:
Tudo o que eu faço é uma beleza, sogrinha linda!
DONA
SARITYELLEN:
Eu não sou sua sogra! U_U
RODOLFO
REGINALDO:
Quando você entrou aqui nesse buffet, todo mundo ficou te olhando.
Tá todo mundo lembrando daquele vexame ontem a noite na entrada do
hotel. E aí? Tá contente?
RISOLETA:
Ai, eu tô hein! Cheia de olheira na cara, o corpo moído feito um
trapo e a minha bundinha continua empinada. Rsrsrs… é óbvio que
eles vão olhar.
DONA
SARITYELLEN:
Minha Nossa Senhora da Bicicletinha! Essa pra mim foi a gota d’água.
(Se levanta da mesa) E o dia ainda nem começou…
Dona
Sarityellen sai dali.
RODOLFO
REGINALDO:
Olha, Risoleta… eu quero aproveitar que minha mãe saiu daqui pra
pedir pra você controlar a bebida da próxima vez.
RISOLETA:
Mas se eu não me controlar e você quiser usar um chicotinho, até
curto, viu!? Rsrsrs… Na quadra de traz daqui do hotel tem uma loja
que vende uns chicotes, uns creminhos, umas cintas-liga, ó… puro
luxo!
RODOLFO
REGINALDO:
Hoje a noite eu prometi ao meu amigo que a gente vai sair de novo.
RISOLETA
(interessadíssima): O BEQUINHOOOOO? O do Real Madrid?
RODOLFO
REGINALDO:
Ele mesmo. A gente vai sair hoje de novo porque ele ficou assustado
com seu jeito de encher a cara. Espero que hoje você só tome
suquinho de caju!
RISOLETA:
Ai, mas eu prefiro bem mais aquilo que rima com suquinho de caju…
rsrsrs… você e o seu amigo já dá pra ficar um na frente e outro
atrás. Fica só faltando um terceiro pra me deixar de boca
caladinha… rsrsrs…
Rodolfo
Reginaldo se controla para não bater na mesa. Respira fundo e faz
seu último comentário:
RODOLFO
REGINALDO:
Estamos conversados, né?
RISOLETA:
Seeeeempre! GOSH-TO-SO!!!
RODOLFO
REGINALDO:
Certo…
Enquanto
isso, em Vila dos Bairros…
Os
antigos empregados da fábrica dos Preservativos Fofada (mais da
metade da população da cidadezinha), chegam às ruínas da antiga
fábrica bastante esperançosos. A transformação do lugar numa
fábrica de explosivos deixa muitos meio apreensivos, mas é melhor
que nada (ou ainda: melhor que dançar funk na praça).
Oitivo,
enviado da Dinheireri Seguros, sobe a um palco improvisado e discursa
para a multidão que se formou ali.
OITIVO:
Meus queridos amigos viladosbairrenses, eu quero avisá-los que as
vacas magras voltarão a engordar. Como uma das medidas da transição
da presente fábrica da produção de preservativos para a produção
de bombas, quero chamar aqui o novo chefe de operações… nosso
querido Albaguidadi!
Oitivo
bate palmas com muita empolgação. No chão da fábrica, alguns
presentes acompanham as palmas, mas sem muito alarde. Albaguidadi
começa a discursar.
SEU
ALBA:
Bom dia, meus queridos. Meu nome é Albaguidadi da Silva, mas podem
me chamar de Seu Alba. É assim que as pessoas costumam me chamar nos
lugares por onde passo. Geralmente, a minha gestão É UM ESTOURO!
CARLOS
LEOPOLDINO:
Eu acho que já vi o senhor na televisão.
SEU
ALBA
(sem dar importância): Eu quero que vocês entendam a grande
diferença do que produziremos aqui agora. Antes essa fábrica
produzia camisinhas, que não podiam estourar. Agora, vamos produzir
coisas que TÊM QUE ESTOURAR.
REGINETE
(lá em baixo): É só não misturar com chiclete que dá tudo certo.
SEU
ALBA:
Quero avisá-los que a produção de bombas e explosivos nessa doce e
esturricada espelunca irá começar IMEDIATAMENTE. E se dará
simultaneamente à reforma. Quem não começar agora já tá
demitido.
CARLOS
LEOPOLDINO
(revoltado): Mas a gente só veio aqui pra bater um papo. Ninguém
sabia que ia começar a trabalhar.
REGINETE:
Verdade! Inclusive, depois do almoço, eu tinha marcado uma surub…
um… digo, digo… um sururu. Um sururu, uma reunião com as amigas
pra fazer as unhas, tomar um chá…
SEU
ALBA:
Pois é. Mas vocês já vão começar a trabalhar é agora mesmo.
ESSA É A PRIMEIRA BOMBA DO DIA, MUHUHUHUAHUAHUAHUAHUA! Haverá
outras, viu! ;-*
Os
empregados da fábrica se entreolham apavorados.
Enquanto
isso, no gabinete da prefeita Fafécia, o Delegado Del Rêgo vai
fazer uma visitinha.
FAFÉCIA:
A que devo tamanha honra.
DELEGADO
DEL RÊGO:
Não aposte na minha ingenuidade, prefeita. Todos sabemos que você
me quer ver pelas costas.
FAFÉCIA:
É normal ver o Rego pelas costas ^_^
DELEGADO
DEL RÊGO:
Bela piadista a senhora ¬_¬
FAFÉCIA:
Mas, enfim… seja lá o que for, eu sou inocente.
DELEGADO
DEL RÊGO:
Espero que sim. Quero avisá-la que graças a alguns dados das
investigações na capital, mais o depoimento da senhora Cleoniça
Pipoqueira, nós finalmente conseguimos identificar o paradeiro da
senhora Maria Cláudia Sarityellen da Assunção Fofada. Vou me
ausentar da delegacia por alguns dias, justamente para ir atrás
dela.
FAFÉCIA:
Isso, delegado! Vai na cola dessa pusilânime!
DELEGADO
DEL RÊGO:
Quero que a senhora saiba que, além de mim e um assessor muito
confidencial, só a senhora sabe que estou na cola de Dona
Sarityellen. Portanto, se eu souber de alguma fuga ou algo assim por
parte da empresária fujona, já saberei quem lhe passou informações
privilegiadas. E essa… hammmm… pessoa irá se complicar. ESTAMOS.
CONVERSADOS. CERTO?
FAFÉCIA:
Isso é uma ameaça, doutor Delegado? =O
DELEGADO
DEL RÊGO:
É só um toque, por enquanto… estou de olho na senhora!
Durante
a tarde, na fábrica de bombas…
Carlos
Leopoldino, o ex-namorado de Mistiane e antigo responsável pelo
controle de qualidade, foi remanejado para a conferência de
estoques. Mas ele tem algumas dúvidas bem pertinentes…
CARLOS
LEOPOLDINO:
Ô, seu Alba… tem uns fornecedores ligando pra cá, perguntando o
nome da fábrica e ninguém tá sabendo dizer.
SEU
ALBA:
Então, vai ficar Bombas Fofada mesmo… é para aproveitar parte do
letreiro que o incêndio não comeu.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Nossa, seu Alba! Será que é pertinente?
SEU
ALBA:
Fique tranquilo. Eu sei o que estou fazendo.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Tá certo, então… outra coisa, eu tô vendo umas planilhas aqui…
hoje tem carregamento de dinamite e pólvora.
SEU
ALBA:
Certo…
CARLOS
LEOPOLDINO:
Amanhã vai vir um carregamento de césio, outro de plutônio…
SEU
ALBA:
É isso mesmo.
CARLOS
LEOPOLDINO:
E depois de amanhã vai vir um carregamento de URÂNIO IRANIANO
ENRIQUECIDO. O senhor tem certeza, seu Alba? o.O
SEU
ALBA:
Ô, meu querido. Cê fica tranquilo que isso aqui vai receber a
tabela periódica inteira, ouviu? No começo esses nomes dão medo,
mas depois a gente se acostuma ^_^
CARLOS
LEOPOLDINO:
Mas… mas… será, Seu Alba?
SEU
ALBA:
Confia em mim que no fim dá tudo certo. Se não der certo é porque
não chegou ao fim.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Se não der certo a gente se explode. Literalmente ¬_¬
SEU
ALBA:
Hihihihi… não se amofine tanto, meu caro. Ai, ai… essa juventude
insegura!
Algum
tempo depois, no hotel de luxo no Guarujá.
Mistiane,
usando o nome falso de Tabatah Soraya, arruma a cama de Rodolfo
Reginaldo de forma absurda e descaradamente devagar. O jovem chega e
começa a acariciá-la.
MISTIANE:
Para, seu Rodolfinho… aqui não.
RODOLFO
REGINALDO:
Eu não posso mais ficar sem você, Tabatah Soraya!
MISTIANE:
Às vezes eu penso que também não… oh, seu Rodolfo Reginaldo.
Como bate meu coração!
RODOLFO
REGINALDO:
Não perca mais tempo. Arrume já as suas malas porque hoje eu vou
resolver a minha história com a Risoleta.
MISTIANE
(se fazendo de desentendida): Quem?
RODOLFO
REGINALDO:
Risoleta, a minha namorada.
MISTIANE:
Aquela que o senhor anda pra cima e pra baixo?
RODOLFO
REGINALDO:
Essa mesmo.
MISTIANE:
Mas ela não era só sua peguete? Seu contatinho?
RODOLFO
REGINALDO:
Errr… sim, sim… “namorada” é só jeito de dizer… hehehe.
Vou ter tempo só pra você agora!
MISTIANE:
Agora?
RODOLFO
REGINALDO:
Não… não agora-agora, sabe? Agora depois. Depois que eu resolver
com a Risoleta.
MISTIANE:
Tô achando isso tudo muito enrolado.
RODOLFO
REGINALDO:
Relaxa que eu sei o que eu tô fazendo.
MISTIANE:
Sei…
RODOLFO
REGINALDO:
É sério. Confie em mim.
MISTIANE:
Vamos ver… só fale comigo novamente se alguma coisa for resolvida
U_U
Mistiane
se faz de bravinha e sai do quarto.
RODOLFO
REGINALDO:
Puxa vida! … e nem arrumou a cama direito!
Enquanto
isso, na beira da piscina, Dona Sarityellen vai curtir um solzinho.
DONA
SARITYELLEN:
Já não era sem tempo! Aff… desde que cheguei aqui, nem curti essa
piscina. Todo dia aquela desfrutável da minha ex-funcionária ficava
aqui de bunda pra cima, seduzindo os homens. Finalmente vou poder
tomar um sol piscinônico com ostentação e luxo.
Um
garçom chega com um drinque para Dona Sarityellen.
DONA
SARITYELLEN:
Agora sim! AHHHH, como é boa a vida chique!
GARÇOM:
Mais uma pedras de gelo, senhora?
DONA
SARITYELLEN:
Não, obrigada!
Sarityellen
apanha a taça com o drinque, mexe com o canudinho e põe na boca.
Suga o líquido e, à primeira sugada, quase engasga. Tem uma
surpresa desagradável. Parece que havia um papelzinho dentro do
canudo. Surpresa, Dona Sarityellen põe a mão na boca da forma mais
disfarçada que consegue. Ela tira o papelzinho da boca e, ó… é
mais um dos bilhetinhos.
DONA
SARITYELLEN:
Minha Nossa Senhora da Bicicletinha, mas que patacoada é essa!
QUANDO MENOS ESPERAR, SEU CASTELO IRÁ DESABAR!
Assim
estava escrito no bilhetinho.
DONA
SARITYELLEN:
DROGA! Eu preciso encontrar a pessoa cretina que tá me mandando
esses bilhetinhos infames… ou será que… não, não pode ser…
Dona
Sarityellen fica pensativa e logo começa a especular:
DONA
SARITYELLEN:
Será que é a Risoleta quem tá me mandando esses bilhetinhos!? Ò.ó
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E
agora? Será que Dona Sarityellen está correta em suas teorias? E a
pequena Vila dos Bairros, será que se adaptará a ter uma fábrica
de bombas? Até quando Mistiane se disfarçará de camareira? Não
percam a resposta dessas e outras perguntas no próximo e eletrizante
capítulo de ENVOLVENTE SUCESSAGEM!

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