ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #20] – A fuga dentro da fuga
Mistiane
está indo ao saguão do hotel, onde receberia algumas instruções
do gerente. Ao chegar lá, porém, ela tem uma grande surpresa: é o
Delegado Del Rêgo quem adentra o hotel pela porta da frente e quase
a vê.
A
jovem se esconde de pressa, mas consegue ver o delegado se
aproximando da recepção.
Mil
e uma teorias começam a povoar sua cabeça.
MISTIANE
(pensando
alto): Ele pode ter vindo para prender Dona Sarityellen, o que seria
ótimo. Mas, também… aiaiai… e se não for? E se ele estiver na
minha cola? E se ele tiver vindo prender todo mundo? Ai, minha Nossa
Senhora da Bicicletinha! Se ele fizer isso, vai estragar todos os
meus planos!
Não
tão longe dali, num motel de extremo luxo…
Risoleta
acorda 11 da manhã e se espreguiça. A noite com Bequinho Fricote
foi uma coisa de louco. Mas o jogador agora está inquieto.
RISOLETA:
Quê que tá acontecendo, meu campeão?
BEQUINHO
FRICOTE
(meio sem graça): Nada não… hehe… é que… tipos, a hospedagem
se encerra ao meio-dia, saca?
RISOLETA:
Claro… rsrsrs… a gente pode ir embora. Ou convidar a faxineira
para uma festinha a três, que tal?
BEQUINHO
FRICOTE:
Errrr… melhor não.
Risoleta
estranha a forma de agir de Bequinho Fricote. Está inquieto, olhando
pro relógio, pensando sabe lá Deus o quê.
BEQUINHO
FRICOTE:
Bem… vamos embora então?
RISOLETA:
Ai, relaxa… se passar da hora, você paga mais uma diária.
BEQUINHO
FRICOTE:
A diária já foi paga pelo Rod… digo, digo… olha, não vai ser
legal. Já tem hóspedes reservados, sabe…
RISOLETA:
Num motel? Eu hein… que estranho.
BEQUINHO
FRICOTE
(com sorriso sem graça): Hehehe… pois é… mas e então, vamos
indo?
Risoleta
fica muito, muito desconfiada…
De
volta ao hotel…
Mistiane
finalmente tem uma ideia de como proceder. Ela tira uma foto do
delegado no celular, larga tudo o que ia fazer e corre para o quarto
de Rodolfo Reginaldo.
Chegando
lá, ela manda um migué bem caozento, mas que surte efeito…
RODOLFO
REGINALDO:
Pô, mozinha… eu achei que você já tinha pedido demissão pra
viajar com a gente.
MISTIANE:
Ai… mas é que eu gosto muito de trabalhar. Queria trabalhar pelo
menos mais hoje…
RODOLFO
REGINALDO:
Tem gosto pra tudo né, aff…
MISTIANE:
Verdade… mas essa sua mãe também, hein… tem um gosto que ó…
não é fraca não!
RODOLFO
REGINALDO:
Do que você tá falando, Tabatah Soraya?
MISTIANE:
Ainnnn…. Não conta pra sua mãe que eu te contei, tá!?
RODOLFO
REGINALDO:
Desembucha, criatura!
MISTIANE:
Eu tô falando é desse homem aqui ó… (mostra foto do Delegado Del
Rêgo no celular e se faz de desentendida). Ele tava agorinha lá em
baixo perguntando pela sua mãe. Uau! Que tipão que a sua mãe
namora, não? ^_^
RODOLFO
REGINALDO
(apavorado): Não pode ser!
MISTIANE
(fingindo
de desentendida): Ai… sabia! Você não gosta do padrasto? =(
RODOLFO
REGINALDO:
Não é nada disso, Tabatah Soraya… mas, também, não tem muito o
que te dizer agora. Mas olha… esquece completamente essa história
de trabalhar mais hoje. A gente vai sair do hotel em minutos! (começa
a empurrar Mistiane para fora do quarto) Espera por mim ao lado do
escorregador, no parquinho da praça aqui perto em 20 minutos. Não
pergunta nada. E nem pede demissão não, simplesmente abandona esse
empreguinho fuderengo que eu te dou vida de rainha lá nas Bahamas.
Agora… some daqui!
MISTIANE
(meio perdida): Nossa! Bem… tá bom então, né…
Enquanto
isso, em Vila dos Bairros, na fábrica de Bombas Fofada…
Carlos
Leopoldino continua estranhando os materiais que chegam à fábrica.
E, como sempre, vai pedir melhores explicações ao Seu Alba.
SEU
ALBA:
De novo você por aqui, meu rapaz!? Espero que dessa vez seja alguma
dúvida pertinente!
CARLOS
LEOPOLDINO:
Pra mim é muito pertinente!
SEU
ALBA:
Certo…
CARLOS
LEOPOLDINO:
Seu Alba… aqui diz que vai chegar um carregamento de formas de
bonecas infláveis no final da tarde. É isso mesmo?
SEU
ALBA:
Exatamente. Sem tirar bem pôr. Pelo menos por enquanto, hehehe…
CARLOS
LEOPOLDINO:
Mas, mas… mas… por quêêêê!? o.O
SEU
ALBA:
Meu caro, nós pretendemos usar parte do know-how que a antiga marca
de preservativos Fofada adquiriu em tantos anos de saliência. Por
isso, passaremos a também produzir bumbuns granada.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Como é que é? Bumbum granada!?
SEU
ALBA:
É. Tá surdo, moleque?
CARLOS
LEOPOLDINO:
Granada de… tipo… explodir de verdade? O_O
SEU
ALBA:
Claro, né… estafermo! Isso aqui é uma fábrica de explosivos de
verdade. A gente faz a boneca inflável acoplada com uma bomba. Aí o
cliente vai se divertir com o bumbum da boneca inflável. Quando ele
estiver satisfeito, ela explode. É simples.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Mas, mas… seu Alba! Isso não é perigoso?
SEU
ALBA:
Ih, meu filho… tem louco pra tudo nesse mundo.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Os órgãos de regulação governamental já aprovaram esse produto?
SEU
ALBA:
Mas puxa vida, hein moleque! Todo dia é isso agora! Se você
continuar colocando objeção em tudo nessa fábrica, vou ser
obrigado a te demitir! Agora, volte logo ao trabalho. Vamos!
CARLOS
LEOPOLDINO:
Sim, Seu Alba =(
De
volta ao hotel de luxo no Guarujá…
Rodolfo
Reginaldo toma o quarto de sua mãe, Sarityellen, de assalto.
Encontra ela, sentada numa cadeira, com uma máscara verde na cara e
dois pepinos.
RODOLFO
REGINALDO:
Mamãe! Para tudo o que estiver fazendo. Precisamos ir embora!
DONA
SARITYELLEN:
Eu sei, querido… quero estar bem linda pra essa viagem de avião.
Vai que eu conheço outro ricaço igual seu falecido pai, hein!
Ahhhh, seria um sonho.
RODOLFO
REGINALDO:
Então acorda! O Delegado Del Rêgo está lá na recepção do hotel.
Fim da linha! Ou a gente voa logo pra essa porra de Bahamas, ou é
xilindrozinho pros dois!
DONA
SARITYELLEN
(agora apavorada): Mas como que você me fala uma coisa dessas!? E
como você soube que o delegado está aí?
RODOLFO
REGINALDO:
ARRUMA ESSAS MALAS!!! VAMOS FUGIR PRA JÁ!!! NADA MAIS É IMPORTANTE
AGORA, CARAMBA!!! CAI NA REAL!!! Ò_ó
DONA
SARITYELLEN:
Faz assim… amarra as suas camisetas uma na outra, até fazer uma
teresa… aí você…
RODOLFO
REGINALDO:
Uma o quê!?
DONA
SARITYELLEN:
Teresa, caramba! Uma corda improvisada, tipo aquelas de presídio.
RODOLFO
REGINALDO:
Entendida de presídio, mamãe!?
DONA
SARITYELLEN:
MOLEQUE! Não é hora pra gracinhas! Olha só… tem um coqueiro numa
agência de modelos de um prédio ao lado. Dá pra ver daqui da
janela do meu quarto. Com um pouquinho de impulso você consegue
pular no coqueiro.
RODOLFO
REGINALDO:
Peraí, porque não usamos seus vestidos na corda também, hein? Tá
errado isso aê…
DONA
SARITYELLEN
(retirando a máscara facial com uma toalha): Meus vestidos são de
uma seda tão pura, legítima e fofurenta que não vão conseguir se
misturar com aqueles seus trapos encardidos e formar uma boa corda.
RODOLFO
REGINALDO:
Eu dou as roupas e ainda pulo no coqueiro primeiro? (irônico) Me dei
bem, hein!
DONA
SARITYELLEN:
Não é você quem diz que precisamos fugir urgentemente?
RODOLFO
REGINALDO
(agora falando mais fino): Mas é muito… tipo… perigosinho, né!?
DONA
SARITYELLEN:
Precisamos arriscar!
Numa
sequência quase cinematográfica, Dona Sarityellen e seu filho
conseguem sair fugidos do hotel, levando um pouco de trapos que lhes
restaram. Além do mais, ainda viraram atração para as modelos que
chegavam para trabalhar na agência ao lado. Todas achavam se tratar
de alguma ação de marketing.
Algumas
dezenas de minutos depois, com a mãe já encaminhada para o
aeroporto, Rodolfo Reginaldo vai até o parquinho em que havia
marcado com Mistiane (para ele, Tabatah Soraya).
MISTIANE:
Mas, minha nossa, Rodolfo Reginaldo! Como você está ofegante!
RODOLFO
REGINALDO:
Não temos mais tempo a perder. Você já se despediu da sua família?
MISTIANE:
Que família? Minha família agora é você e sua linda mamãe,
Rodolfo Reginaldo!
RODOLFO
REGINALDO:
Então segura a minha mão e vamos correndo para o aeroporto.
MISTIANE:
Mas já!? Eu nem terminei de assistir minha série no Patinetflix!
RODOLFO
REGINALDO:
Depois você pensa nisso…
Durante
isso, na prefeitura de Vila dos Bairros…:
A
prefeita Fafécia recebe a visita de Carlos Leopoldino. Não que ela
não goste: o rapaz é bem-apessoado, embora tenha mais de trinta
anos a menos que ela. O que ela costuma não gostar são os assuntos.
CARLOS
LEOPOLDINO:
A senhora precisa saber de algumas realidades em relação àquela
fábrica.
FAFÉCIA:
Isso já não me diz respeito.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Será? O que se produz naquela fábrica é caso para reportagem
especial do programa Falácico. A senhora não pode permitir que isso
ocorra em seu mandato.
FAFÉCIA:
Senta que lá vem ladainha…
Após
isso, no saguão do aeroporto…
Rodolfo
Reginaldo (se apresentando como Jabiédisson Glaudemar) está num
canto, ao lado de uma máquina de refrigerantes. Mistiane (se
apresentando como Tabatah Soraya) está junta dele.
Dona
Sarityellen (se apresentando como Kate Diana Elizabeth) está bem
longe deles, mas também lá no aeroporto. Os três esperam pelo voo
que os levará às Bahamas.
RODOLFO
REGINALDO:
Eu já comprei a sua passagem beeeem pra trás no avião. É só você
embarcar depois de nós. Não quero que mamãe te reconheça.
MISTIANE:
Me reconheça… das arrumações de quarto, você diz… certo?
RODOLFO
REGINALDO:
Claro. Do que mais seria?
MISTIANE:
D-d-d-de nada, amorzinho. Tá tudo certo.
RODOLFO
REGINALDO:
Eu só te peço um pouquinho de paciência. Chegando nas Bahamas eu
consigo um lugar bem legal pra você, até que eu te apresente
oficialmente à minha mãe. Se eu fizer isso agora, corro o risco
dela boicotar sua viagem.
MISTIANE:
Bem… e isso é tudo o que nós não queremos, não é mesmo? ^_^
RODOLFO
REGINALDO
(com cara de poucos amigos e jeitinho meio irônico): Exatamente…
isso aí mesmo.
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E
agora? Conseguirão fugir Sarityellen e seu filho? E a fábrica de
Bombas, até onde irá? Não percam o próximo e surpreendente
capítulo de ENVOLVENTE SUCESSAGEM.

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