ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #8] – Chantagens
HALVARINO:
Veja bem, Dona Sarityellen. Minha esposa e minha filha não são as
melhores dançarinas de funk do mundo. Se é que a senhora me
entende…
DONA
SARITYELLEN:
Aham… Onde você quer chegar, traste?
HALVARINO:
Eu sinto muito, mas a senhora precisa me adiantar algum dinheiro.
DONA
SARITYELLEN:
Negativo! Nosso combinado é com o dinheiro do seguro!
HALVARINO:
Eu não posso mais esperar, Dona Sarityellen.
DONA
SARITYELLEN:
Que marmota é essa?
HALVARINO:
Se a senhora não adiantar nenhunzinho sequer, eu… eu sinto muito…
eu vou contar tudo o que eu sei!
DONA
SARITYELLEN:
O QUÊ? SEU TRAIDOR DE UMA FIGA!!! Ò.ó
Na
Delegacia, a prefeita Fafécia vai dar uma bela duma encostada na
parede com o Delegado Del Rêgo. Mas acaba surpreendida.
DELEGADO
DEL RÊGO:
Eu vou tentar acreditar que a senhora não veio até aqui pra tentar
me coagir.
FAFÉCIA:
A infeliz tocou fogo na fábrica que dava sustento pra toda essa
gente e logo depois fugiu. Fugiu de uma delegacia tradicional, como é
a sua. O senhor acha que isso não vai gerar tensão social?
DELEGADO
DEL RÊGO:
Dona Fafécia, existe um inquérito contra a senhora por
superfaturamento em asfaltos, lembra?
FAFÉCIA
(engolindo seco): Processo não é condenação!
DELEGADO
DEL RÊGO:
Obviamente não. E ainda bem!
FAFÉCIA:
E nem é o senhor quem está investigando esse caso! U_U
DELEGADO
DEL RÊGO: Ah,
isso é bem verdade! Mas… veja bem… eu, se fosse a senhora, não
ficaria assim tão segura de que o delegado da cidade não tem provas
novas, e está pronto para usá-las…
FAFÉCIA
(engolindo seco): Hummmm… bem… então. O senhor fique à vontade
para investigá-la à profundidade que quiser. Só não é bom que
demore muito…
DELEGADO
DEL RÊGO:
Claro, claro…
No
dia seguinte, Sarityellen tem, novamente, um encontro nada amigável
com Halvarino, o ex-gerente da fábrica. A pauta, porém, é a mesma…
HALVARINO:
Eu não estou querendo toda a grana de uma só vez não, Dona
Sarityellen. Só não me enrola mais…
DONA
SARITYELLEN: Não
é enrolação! Estou sem grana mesmo!!! =(
HALVARINO:
Nesse caso, sei lá… olha… tem esse seu carrão de luxo aí,
estacionado na garagem. A senhora pode vender ele na feira do rolo de
Jacutinguinha de Lindóia, aqui do lado. Já vendi altos carro da
hora lá…
Sarityellen pensa um pouco, lembra da feira e chega a cogitar a sugestão de Halvarino. Mas logo recupera a pose.
DONA
SARITYELLEN:
O quê? O senhor quer vender meu caro de extremo luxo naquele feirão
popular chinfrim e malcheiroso? O senhor me respeite! U_U
HALVARINO:
Mas a senhora tem grana pra pôr gasolina nessa caranga?
DONA
SARITYELLEN:
Não ='(
HALVARINO:
Então
vende essa bagaça!!!! Ò.ó
DONA
SARITYELLEN: Eu
só peço ao senhor mais um pouquinho de paciência. O dinheiro do
seguro vai ser liberado logo, loguinho…
HALVARINO:
Quero uma grana até amanhã à noite. E não me venha com duas nota
de cinquentinha! Passar bem! U_U
Dona
Sarityellen se sente cada vez mais amedrontada. Quase não consegue
dormir aquela noite. Quando, finalmente, consegue pregar os olhos, a
campainha toca. A empregada, meio na má vontade já que não recebeu
o salário dos últimos dois meses, não atende à porta. Tiririca da
vida, Dona Sarityellen vai lá e abre a porta ela mesma.
Ao
abrir a porta, a surpresa. É seu filho, Rodolfo Reginaldo, que acaba
de chegar!
DONA
SARITYELLEN:
Você chegou mais rápido do que eu pensava.
RODOLFO
REGINALDO:
Paga o táxi pra mim, mãe?
DONA
SARITYELLEN:
COMO É QUE É!? o.O
RODOLFO
REGINALDO:
Pagar o táxi, ora. Eu tô quase sem dinheiro depois dessa viagem e
da pendura na Suíça…
DONA
SARITYELLEN (sussurrando):
Eu também tô quase sem dinheiro…
TAXISTA:
Ô
madama! E aí, sua lazarenta? Vai pagar ou vou ter que chamar a
polícia?
DONA
SARITYELLEN:
Oh, céus! Polícia não!
Dona
Sarityellen vai ao interior da casa, apanha dois anéis de brilhante
num cofre e traz até o taxista.
DONA
SARITYELLEN:
Acredito que isso paga a corrida e até sobra!
RODOLFO
REGINALDO: Ainda
mais que vem da capital e foi com bandeira 2…
DONA
SARITYELLEN:
Quieto, Rodolfo Reginaldo! Ò.ó
TAXISTA:
Num é semi-bijóiateria não, madama?
DONA
SARITYELLEN:
De forma alguma! Eu dou minha palavra. Não uso bijuteria. Se o
senhor não conseguir vender esses anéis por uma boa quantia, pode
voltar aqui em casa!
TAXISTA:
Eu vou voltar… mas é com uma fileira de azeitona. Passar bem! U_U
O
taxista vai embora cantando pneu.
RODOLFO
REGINALDO:
Nossa, eu não mereço nem um abracinho?
DONA
SARITYELLEN:
Não, não merece!!! E esse envelope aí na sua mão, hein!? Presumo
que já sei… humpf! Alguma bomba do colégio interno, certo?
RODOLFO
REGINALDO:
Pior que não. Eu já ia me esquecendo, foi bom a senhora lembrar.
Esse envelope tava na caixa de correio, e tá endereçado a você.
Dona
Sarityellen fica um pouco receosa, mas abre o envelope mesmo assim.
Se apavora, porém, quando lê…
“EU
ESTOU VENDO TUDO. VAI TER VOLTA”.
RODOLFO
REGINALDO:
Alguma coisa mamãe?
Sarityellen
fica totalmente sem reação.
RODOLFO
REGINALDO: Mamãe?
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E
agora? Quem estará por trás desse recado? E conseguirá Dona
Sarityellen entrar em algum acordo com Halvarino? Não percam o
próximo capítulo de ENVOLVENTE SUCESSAGEM.

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