ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #10] – Segredo explosivo
Halvarino
recebe um suposto colar de brilhantes como pagamento de sua
chantagem.
HALVARINO:
Eu
não sei se deveria, mas vou confiar na senhora, viu!? Só que a
senhora já fique sabendo que se esse colar for de biju eu jogo a
lama no ventilador… pra não dizer que jogo outra coisa.
DONA
SARITYELLEN:
Aham… agora, vai embora. E vê se não dá bandeira de que tá com
um negócio valioso desses debaixo do braço.
Halvarino
ainda fica meio desconfiado de que o colar de brilhantes possa ser
mais falso que uma nota de 3 reais. Mas como ele não tem nem mesmo
uma nota de 3 reais pra chamar de sua na vida, decide arriscar.
Coloca o tal colar num pano e o pano debaixo do braço.
Ele
vai se afastando de Dona Sarityellen, que o assiste caminhar para
longe. De repente, uma explosão…
BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!
Pequenos
pedaços de vidro voam pelo ar. Dona Sarityellen olha, de longe,
Halvarino caído no chão. Sem reação nenhuma. Os restos do colar
falso (onde a bomba estava acoplada) fazem pequenos focos de brilho
pelo ar. O bizarro espetáculo é assistido de dentro de seu carro.
DONA
SARITYELLEN:
Eu esperava que a explosão fosse maior… mas, tudo bem. O
importante é que esse aí não incomoda mais…
MUHUHUHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA
[risadas maquiavélicas].
O
dia amanhece. Sarityellen acorda tranquilamente e, sem nenhuma
pressa, sai de seu quarto. Entra pelo corredor, atravessa portas,
desce as escadas e dá de cara com o Delegado Del Rêgo. Não
expressa nenhum espanto por vê-lo, e ainda deseja-lhe um bom dia.
RODOLFO
REGINALDO:
Eu disse a ele que voltasse mais tarde, mamãe…
DONA
SARITYELLEN:
Deixe, Rodolfo Reginaldo. Vá dar umas voltas, vá…
RODOLFO
REGINALDO:
Duro?
Sarityellen
finalmente fica nervosa. Seu filho demonstrou falta de dinheiro
diante de uma visita. Ela detesta parecer desprovida.
DONA
SARITYELLEN:
Me perdoe o espetáculo cafona, delegado Del Rêgo. Filho acostumado
a ter tudo, sabe?
DELEGADO
DEL RÊGO:
Não, não sei. Na verdade, eu precisava trabalhar muito quando tinha
a idade dele.
RODOLFO
REGINALDO:
Que sono dessa conversa! Vou embora mesmo! Partiu comer um ar!
Rodolfo
Reginaldo sai. Dona Sarityellen volta a sorrir para o delegado.
DONA
SARITYELLEN:
Eu pensei que nós teríamos uma conversa depois de amanhã, certo?
Ou vocês já tem notícia sobre o paradeiro da Mistiane?
DELEGADO
DEL RÊGO:
Não, Dona Sarityellen. Eu vim aqui por outro motivo mesmo. O jovem
senhor Halvarino Mantega de Vaselinas Guspi, um de seus funcionários
de alto escalão.
DONA
SARITYELLEN:
O que tem ele? Não vai mais depôr no mesmo dia que eu?
DELEGADO
DEL RÊGO:
Ele morreu, Dona Sarityellen.
DONA
SARITYELLEN
(fingindo surpresa): O quê? Ele morreu? COMO? =O
DELEGADO
DEL RÊGO:
Ele foi encontrado com explosivos numa estradinha perto da cidade.
DONA
SARITYELLEN:
Gente, ele era da Al Caída? Juro que não desconfiava =O
DELEGADO
DEL RÊGO:
Não, não é isso que eu estou afirmando, Dona Sarityellen. O fato é
que algumas marcas de pneu foram encontradas por lá.
DONA
SARITYELLEN:
Ainda bem, né. Sinal de que é uma estrada. Faixas de terra sem
marca de pneu costumam ser rios secos. E eu me entristeço muito ao
ver um rio seco.
DELEGADO
DEL RÊGO:
Nós vamos avaliar seus pneus, certo?
DONA
SARITYELLEN:
TÁ ME CHAMANDO DE GORDA? Ò.ó
DELEGADO
DEL RÊGO:
N-n-n-não, Dona Sarityellen! o.O
DONA
SARITYELLEN:
Então vá avaliar os pneus de outra!
DELEGADO
DEL RÊGO:
Eu tô falando dos pneus do seu caro. Ora, puxa vida! U__U
DONA
SARITYELLEN:
Ah, sim! Podem futricar no meu carro, à vontade. Mas se forem dar um
rolé, favor colocar 5 litros de gasolina aditivada ;-)
O
Delegado Del Rêgo não gosta da firme segurança de Dona
Sarityellen. Ela, por sua vez, está realmente tranquila, pois já
havia pensado em tudo. Não por acaso, havia trocado de pneus ontem
mesmo, logo depois de ter colocado Halvarino para explodir.
Como
esperado, o Delegado Del Rêgo comparou os rastros encontrados na
estrada com o rastro do pneu do carro de Dona Sarityellen e não
encontrou nada.
DELEGADO
DEL RÊGO:
É… por enquanto, não tenho mais nada a perguntar. A não ser no
dia do depoimento.
DONA
SARITYELLEN:
Por mim, eu dava esse depoimento hoje mesmo, Delegado Del Rêgo ;-)
DELEGADO
DEL RÊGO:
Está bem. Por mim também tomava seu depoimento agora. Mas,
infelizmente, não poderei ficar.
DONA
SARITYELLEN
(transbordando de falsidade): É. Muito infelizmente.
Infelizmentíssimo! Mas quando quiser voltar aqui, fique à vontade
tá? Beijinho beijinho e tchau tchau ^_^
Enquanto
isso, nas ruas da cidade, a notícia da morte de Halvarino deixa a
população de Vila dos Bairros comovida. Todos nas ruas estão
zanzando atrás de notícias. Menos a espevitada Risoleta, que só tá
sentindo um tremendo dum tédio. Rodolfo Reginaldo, que não só está
andando à toa como também é um sujeito à toa, acaba, se sentindo
atraída pela impudica.
RODOLFO
REGINALDO:
Ora bolas, moça bonita! Toda a cidade está em prantos pela morte do
tal Halvarino, e você aí, como esse sorrisinho safado e esse ar
primaveril…
RISOLETA:
Vixxxe… tô de boa de funeral, viu! Ainda mais esses moderninhos,
de hoje em dia, que colocam uma vela virtual queimando numa tela de
LCD. Se fosse vela de verdade, eu até ira… rsrsrs…
RODOLFO
REGINALDO:
E a senhorita faria o quê com a vela?
RISOLETA:
Nem te conto… rsrsrs… se bem que… hum… moço é meio
interessantezinho. Se quiser, te mostro o que eu ia fazer com a vela.
RODOLFO
REGINALDO
(numa mistura de envergonhado e disposto): Bem… er… então tá.
Hehe. Acho que vai ser fácil achar um lugar vazio nessa cidade hoje.
RISOLETA:
Já sei um lugar bem vazio! Vamo pra praça! ^_^
RODOLFO
REGINALDO:
Cê tá loca, fia? o.O
RISOLETA:
Eu sou louca sempre… rsrs… mas é que lá hoje tá vaziozão.
Geralmente tá cheio de gente dançando funk pra turista. Hoje é que
não vai estar… aliás, você tá passando aqui pra ir pra onde?
RODOLFO
REGINALDO:
Eu não estou de passagem. Eu sou filho de Sarityellen Fofada, a dona
da fábrica de camisinhas que pegou fogo.
RISOLETA:
Vixxxe… ex-rico neopobre… rsrsrs… eu só amarro meu jegue em
cara sem futuro mesmo né… mas é o que tem pra hoje… rsrsrs.
De
volta à casa de Dona Sarityellen…
As
contas continuam chegando, sem que a grana chegue em igual forma. A
situação é tão difícil que a empregada simplesmente desistiu de
continuar naquela casa. Sarityellen, em pessoa, pega as
correspondências após ouvir o carteiro gritar.
Mas
ela logo tem uma surpresa. E não é boa.
Outro
envelope esquisito aparece, com outro bilhete esquisito.
NÃO PENSE QUE TOMARÁ O QUE É MEU ANTES QUE EU TOME O QUE É SEU
DONA
SARITYELLEN:
Oh, céus!!! =O
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E agora? Será que Risoleta e Rodolfo
Reginaldo terão algo mais sério? Será que o delegado Del Rêgo
descobrirá o paradeiro de Mistiane? E a morte de Halvarino, será
solucionada? Não perca o próximo capítulo de ENVOLVENTE
SUCESSAGEM.

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