ENVOLVENTE SUCESSAGEM [Capítulo #1] – Chiclete
O
supervisor Halvarino entra na sala de Dona Sarityellen, proprietária
da fábrica de preservativos Fofada. Ele está receoso sobre a
situação da empresa
HALVARINO:
O
carregamento chegou, Dona Sarityellen.
DONA
SARITYELLEN: Bastava
me mandar uma mensagem no celular. Mas já que quis vir aqui, muito
obrigada. Pode sair.
HALVARINO:
Eu estou preocupado, Dona Sarityellen!
DONA
SARITYELLEN:
Não te pago pra se preocupar! U_U
HALVARINO:
Aquilo que chegou… não tinha cheiro de látex. Tinha cheiro de…
chiclete!
DONA
SARITYELLEN: Uhum…
HALVARINO:
Como assim.. uhum!?
DONA
SARITYELLEN: O senhor está dispensado, seu Halvarino. Muito
obrigada, viu!
HALVARINO:
Então o carregamento é de chiclete mesmo!?
Dona
Sarityellen engole seco e fica pálida de nervosismo. Decide, afinal,
não omitir esse detalhe a seu funcionário.
DONA
SARITYELLEN: Você
não vai falar isso pra ninguém, tá me ouvindo?
HALVARINO:
Mas isso vai fazer cair a qualidade das nossas camisinhas, Dona
Sarityellen! =O
DONA
SARITYELLEN: Escuta
aqui, meu chapa! Eu assumi o comando dessa espelunca faz um mês,
depois que meu marido morreu. Eu achava que tava tudo às mil
maravilhas, mas… humpf!! Cê acha, né!? Aquele
cretino daquele perdulário devia gastar a grana disso aqui com
amante, no mínimo. O resto você já deve imaginar… estamos
devendo até a alma por 15 encarnações!
HALVARINO:
Puxa vida!!! =O
DONA
SARITYELLEN: A
partir de agora nós vamos usar chiclete reciclado na
fabricação das camisinhas. É pra
contenção de despesas, ok!?
Se a fábrica for à falência, TODO MUNDO VAI PERDER O EMPREGO.
Inclusive você! Você quer isso?
HALVARINO:
Não,
Dona Sarityellen! E a fábrica não pode fechar. Ela é a única
fonte de renda aqui de Vila dos Bairros. Nossa
pequena cidade não merece tamanha perfídia,
DONA
SARITYELLEN:
Então não fale dessa história pra ninguém, tá me ouvindo!? Ò.ó
HALVARINO:
Sim, Dona Sarityellen… =(
Halvarino
sai da sala de Dona Sarityellen apavorado com o que acabara de ouvir,
e autoriza o descarregamento das 3 toneladas de chiclete reciclado.
Enquanto
isso, no chão de fábrica…
MISTIANE:
Bom
dia, dona Reginete do almoxarifado! Como está a senhora? ^_^
REGINETE:
Tranquila
na ilha, minha filha!
MISTIANE:
Vim buscar mais essência de uva e de menta para as camisinhas do meu
setor.
REGINETE:
Então, bem… diz que elas só vão chegar no começo da tarde.
MISTIANE:
Como
é que é? =O
REGINETE:
Isso
mesmo. Estamos sem essência para as camisinhas com sabor.
MISTIANE:
Mas
como eu vou trabalhar até lá?
REGINETE:
Simples,
filha. Não trabalha ^_^
MISTIANE:
Eu não posso ficar sem trabalhar! Vai contra meus princípios! =O
REGINETE:
Para de drama, meu
bem!
E já vai se acostumando, viu….
MISTIANE:
Ué… por quê?
REGINETE:
Tão falando por aí que a fábrica tá bem mal das pernas! Sei não
se a gente não vai à falência, viu!
MISTIANE:
Será!?
Enquanto
isso, no setor de recursos humanos…
Risoleta,
uma das funcionárias menos exemplares da fábrica, chega se
arrastando com um gesso na perna. Os funcionários dali olham
desconfiados.
PAULICEIDY
DO RH: Nossa, Risoleta! Dessa vez você se estropiou, hein!
RISOLETA:
Pois é, amor… pensei que ia vir trabalhar aqui hoje e, ó… caí
do cavalo… rsrsrs… é rir pra não chorar.
PAULICEIDY
DO RH: Você caiu do cavalo no sentido figurado ou de verdade
verdadeira!?
RISOLETA:
Verdade verdadeiríssima, meu amor. Não é à toa que o médico me
deu um atestado de 10 dias. Ele queria que fossem 20, mas eu insisti
que fossem só 10. Não queria que minha ausência prejudicasse tanto
essa doce e amada empresa.
Halvarino
chega naquele momento.
HALVARINO:
Bom dia, Dona Pauliceidy. Vim buscar aqueles relatórios e… Oh,
Risoleta! Você por aqui!
RISOLETA
(com cara de dor): Nem me fala, Seu Halvarino. Me convidaram pr’um
haras, sabe!? No começo eu nem queria ir. Mas aí eu fui lá e um
cavaleiro forte, maravilhoso me ofereceu um cavalo… aí eu não
resisti, né… rsrsrs… fui sem nem pensar duas vezes.
HALVARINO:
Sei…
RISOLETA:
E não é que eu caí do bendito do cavalo! Ai, foi horrível. Eu
pensei que fosse morrer!
HALVARINO
(sem embarcar no caô de Risoleta): Você não tem tido sorte
ultimamente, né… foi atropelada pelo carro de sorvete, caiu de um
telhado, foi atingida por um rojão de São João, tropeçou no
paralelepípedo solto…
RISOLETA:
Ain, verdade Seu Halvarino.
HALVARINO:
E sempre que isso acontece, olha só… você fica sem poder vir
trabalhar uns dias.
RISOLETA:
Verdade, hein seu Halvarino!
HALVARINO:
E agora ó… pra completar sua falta de sorte… ihhhh (arranca o
gesso da perna de Risoleta sem muito esforço) Nooooosssa, olha que
coisa! O gesso tava soltinho, soltinho. Saiu na minha mão sem nem eu
fazer força… PARECE ATÉ QUE ESTAVA ALI SÓ PARA ENFEITE!!! Ò_ó
RISOLETA
(bem sem graça): Ai, nossa… ééé… então é que… realmente,
pensando bem… nem tá doendo tanto assim.
HALVARINO:
Risoleta, você não é obrigada a trabalhar aqui não. Se não está
contente, se demite ué…
RISOLETA:
Aiêêê, não precisa ser tão drástico. Tá bom, tá bom. Eu vou
lá trabalhar. Humpf…
PAULICEIDY
DO RH (rindo-se): Até mais, Risoleta ^_^
Algumas
horas depois, Mistiane resolveu voltar ao almoxarifado de Reginete.
Mas Reginete até a recebe meio impaciente.
REGINETE:
De novo você veio aqui atrás dessas essências de uva e menta,
menina!? Eu já te disse que não tem!
MISTIANE:
Mas é que eu vi um caminhão estacionado ali na frente da fábrica.
Uns carregadores trouxeram umas caixas e tal…
REGINETE:
Se alguma fosse de essência eu te avisaria. Agora some daqui e não
cansa a minha beleza. Estou estudando pro meu supletivo.
MISTIANE:
Supletivo!?
REGINETE:
Claro… do jeito que estão falando que a fábrica vai falir eu é
que não quero ficar para trás. Agora, some daqui de verdade
Mistiane! U_U
Mistiane
namora o jovem Carlos Leopoldino, que também trabalha na Fofada
Preservativos. Antes de voltar pra casa e tirar um cochilo, ela
decide dar um breve alô para seu namorado.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Mas que história estranha! Nunca vi faltar essência nessa fábrica
de camisinhas! Ainda mais de uva e de menta!
MISTIANE:
Pois
hoje vai faltar tanto que eu vou até pra casa =(
CARLOS
LEOPOLDINO: Ouvi
boatos de que a fábrica pode falir. Será que é verdade?
MISTIANE:
Se
for, como Vila dos Bairros vai sobreviver? Bem… depois do almoço
eu volto e continuamos a conversar sobre isso.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Beijo e bom dia, amor da minha vida!
Poucos
minutos depois, Halvarino vem trazer um carrinho cheio de camisinhas
novas. Ele está suando frio e olhando para os lados. Carlos
Leopoldino estranha, mas não contesta seu supervisor.
HALVARINO:
Essas aqui são camisinhas novas que eu trouxe pra você fazer
controle de qualidade.
Carlos
Leopoldino estranha.
CARLOS
LEOPOLDINO:
Ué… elas cheiram a chiclete. Mas aqui na fichinha diz que elas são
camisinhas sem sabor. Que estranho!
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E agora? Será que Halvarino
conseguirá engabelar o Carlos Leopoldino do controle de qualidade? E
a fábrica, será que vai mesmo à falência? Não percam o próximo
capítulo de ENVOLVENTE SUCESSAGEM.

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