DEUS ME DIBRE DESSE AMOR [Capítulo #6] – Levando uns gols da vida
Estádio
mais ou menos cheio. É dia de jogo de futebol feminino.
NARRADOR:
E a gente vai se aproximando dos 40
minutos do segundo tempo aqui na Arena
Calamidade. Atlético de Amoreco 2, Calamitoso F. C., 0! Vai se
complicando a situação do time no campeonato!
Na
arquibancada…
GELINHO:
E alguém imaginava diferente, Jeckysson Cleyton!? Mulher nem foi
feita pra jogar essas coisas, essa é que é a verdade…
JECKYSSON
CLEYTON: É você quem tá dizendo…
O
jogo começa a ficar empolgante.
NARRADOR:
Começou o contra-ataque do Calamitoso! Claudiene passa para
Florisbalda… Florisbalda roca para Vilsimara, que entrou para
substituir Navyleide, que está contundida…. Passa pra Eliovaine…
Eliovaine passa para Jadice. VAI JADICE! É sua chance de redenção,
Jadice!!!
GELINHO
(na arquibancada, com expressão sarcástica): Ihhhh… pode
esquecer.
JECKYSSON
CLEYTON: Cara, torce a favor pelo
menos uma vez.
GELINHO:
De que adianta? Rsrsrs…
Jadice
chega na boca do gol e chuta para bem longe. Jeckysson Cleyton fica
esperando que Gelinho caia na gargalhada, mas, pelo contrário, ouve
um silêncio vindo da direção de seu amigo.
JECKYSSON
CLEYTON: Ué,
cara… você não vai rolar no chão de tanto rir da Jadice?
GELINHO
(apreensivo): Olha lá.
JECKYSSON
CLEYTON:
Olhar o quê?
GELINHO:
É a Lilália, cara… aquela gostosona que nem me deu bola no dia
que a gente venceu o jogo.
JECKYSSON
CLEYTON:
Ih… é ela mesmo!
GELINHO:
Mano… ELA TÁ AO LADO DA REBECSY!!!
JECKYSSON
CLEYTON:
De quem?
GELINHO:
Rebecsy, cara… a mina com quem eu passei a noite e… bem…
JECKYSSON
CLEYTON:
Ah claro… a mina com quem você
DORMIU, literalmente.
GELINHO:
Essa mesmo… hehehe ಠ⌣ಠ
JECKYSSON
CLEYTON:
Nem vou repetir aquela história do
descarrego da Mãe Pombinha que você já devia ter feito.
GELINHO:
Mano… elas olharam pra cá agorinha. A Rebecsy deve tá falando pra
Lilália que eu… que eu… que eu sou CADERNO BROCHURA!!! ಥ﹏ಥ
JECKYSSON
CLEYTON:
Putz!
GELINHO:
Minha fama está arruinada! Mano, vamo embora desse estádio. Pra
mim, já deu!!!
JECKYSSON
CLEYTON:
Por mim, tudo bem…
Jeckysson
Cleyton e Gelinho saem do estádio. O Narrador de futebol logo dá o
diagnóstico:
NARRADOR:
FinaAAaaaAaAAaaaaLLLL de jogo aqui na Arena Calamidade. Atlético
de Amoreco 2, Calamitoso 0! O fantasma do rebaixamento para a quinta
divisão começa a assombrar o time. São emoções que não cabem no
coração, amigo!
Algum
tempo depois, no vestiário…
TÉCNICA
MAURICENE:
BAAAAAAAANNNNNDDOOOOO DE TOUPEIRAS!!! Não fizeram nada do que a
gente passou dias treinando!!! Vocês têm o quê na cabeça, suas
perebentas? Doce de banana podre?
JADICE:
A gente deu o que a gente tinha de melhor, técnica Mauricene.
TÉCNICA
MAURICENE:
Nem vem, Jadice, que você foi, de longe, a pior jogadora em campo. O
que deu em você, hein!? Puxa, vida! Lembra que eu tinha visto até
algum talentinho em você? Nem isso eu tô vendo mais.
JADICE:
Eu sinto muito, técnica Mauricene.
TÉCNICA
MAURICENE:
Vocês vão sentir muito é no bolso. Só a Reno Kibes está
patrocinando a gente. Se a Reno Kibes retirar o patrocínio, aí já
era. Só vai restar a gente ir pra praça dançar funk pra juntar
dinheiro, e olhe lá!
JADICE:
Oh, puxa vida! =(
E
na casa de Seu Reno e Dona Sangra…
DONA
SANGRA:
Reno, eu…
SEU
RENO:
Você nem precisa continuar, Sangra. A resposta é NÃO!!! Eu vou
continuar patrocinando o Calamitoso e o sonho daquelas meninas. E
você não vai me impedir.
DONA
SANGRA:
Mas, mas… você tinha prometido!
SEU
RENO:
Prometi que ia pensar. E pensei. O patrocínio fica.
DONA
SANGRA:
E o meu cruzeiro pelo Mediterrâneo?
SEU
RENO: Esses navios estão sempre
precisando de empregados. Vai trabalhar num deles que você viaja o
mundo facinho facinho… agora, com licencinha… vou à Vila
Calamidade encontrar meu amigo Teozin do Coxipó.
Seu
Reno sai de casa, deixando Dona Sangra fula de raiva.
DONA
SANGRA:
É muita falta de respeito, viu! Ô FIVEEEEEEELLLLYYYYYYYYYY!!!! Cadê
você, sua ariranha!?
FIVELLY:
Chamou, Dona Sangra?
DONA
SANGRA:
Claro que chamei, sua boçal! Prepare um banho de sais marinhos para
mim. Coloque junto alguns gravetos de canela e um punhado de mel.
FIVELLY:
Quantos gravetos de canela, senhora!?
DONA
SANGRA:
Sei lá, sua retardada. Põe alguns lá…
FIVELLY:
É que a senhora é sempre tão milimétrica, gosta das coisas bem
contadinhas…
DONA
SANGRA:
Tá me chamando de unha-de-fome, sua serviçal mosca-morta!?
FIVELLY:
Não, Dona Sangra! Longe de mim!
DONA
SANGRA:
PÕE TODO O ESTOQUE DE CANELA DA DISPENSA NESSA PORRA DE BANHEIRA E
PREPARA LOGO ESSA PORRA DE BANHO!!! Ora, ora!!! Mas é muito
desplante!!! Tem que ensinar tudo para essa serviçal indolente!!
A
tarde passa, todos vão embora do estádio Arena Calamidade.
Jadice
ainda fica lá, cabisbaixa, pensando na vida. São quase 11 da noite,
quando o segurança praticamente a obriga a ir embora.
SEGURANÇA:
Você pode ir pra casa porque não tem ninguém lá fora querendo
tomar satisfações de você.
JADICE:
Claro que não tem. Ninguém liga pra mim.
SEGURANÇA:
Fica assim não, moça. Tipos… ficar triste né. Não é bom ficar
triste. Agora, ligar pra você ninguém liga mesmo não, viu!? Beijo,
some daqui.
JADICE:
GROSSO!!! Ò_ó
Jadice
sai dali e vai caminhando. Ainda nas imediações do estádio, ela vê
uma sombra se aproximando dela. A princípio ela fica amedrontada,
mas a pessoa da sombra logo se faz notar…
VOZ:
Menina, não precisa ter medo. Não quero te fazer mal…
JADICE:
Quem tá aí!?
VOZ:
Eu assisti alguns dos seus jogos, tá entendendo!?
JADICE:
Tá, mas quem tá aí!?
VOZ:
Eu vi que você tem um bom jogo de corpo, só não tá conseguindo
juntar com…
JADICE
(interrompendo): Diacho!!! Quem tá falando aí?
VOZ:
Eu vim pra te fazer uma proposta, tá entendendo!?
JADICE:
Sua voz me parece familiar…
VOZ:
Você deve me conhecer da televisão… eu fui jogadora, igual você…
tempos muito mais difíceis…
JADICE:
Então você é a … você é a … não! Não pode ser…
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E
agora? Com quem será que Jadice está
conversando? A fama de caderno brochura vai pegar de vez no Gelinho?
E Dona Sangra? Conseguirá convencer Seu Reno a deixar de patrocinar
o Calamitoso? Não perca os
desdobramentos no próximo e incrível
capítulo de DEUS ME DIBRE DESSE AMOR.

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